terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

1º COLEGIAL/1ºTRABALHO/HISTÓRIA DA QUÍMICA (1ª parte) )

DEMÓCRITO

A HISTÓRIA DA QUÍMICA

A Descoberta do Fogo
A descoberta do fogo pelo homem é um fato ocorrido há milênios numa época que não podemos precisar. Há evidência de que o fogo já era usado pelo homem na Europa e na Ásia, no paleolítico posterior e no neolítico.
Uma lenda grega relativa ao aparecimento do fogo, imortalizada na tragédia Prometeu Acorrentado de Ésquilo (525 a.C-456 a.C), conta que o gigante Prometeu roubou o fogo dos deuses e deu-o ao homem, sendo por isto condenado a uma terrível tortura.
No primeiro século antes da era de Cristo o poeta latino Lucrécio e o arquiteto Vitrúvio já especulavam como teria o homem primitivo descoberto o fogo.
Sabemos que o processo químico da combustão envolve a combinação do oxigênio da atmosfera com o carbono contido nos materiais orgânicos: folhas, capim, madeira, etc., reação iniciada por um agente energético natural ou intencional.
Raios também podem incendiar florestas, mas sua ação é esporádica.
Entre as causas naturais a combustão espontânea é a mais provável: o fogo poderia surgir na savana seca espalhando-se pela ação do vento.
Produzir o fogo provavelmente resultou da observação de que brasas resultantes da queima natural de madeira podiam ser reativadas pela ação do vento, ou pelo sopro, fazendo a chama reaparecer.
A propagação do fogo pelo aquecimento de galhos ou folhas secos provavelmente indicou que a chama poderia ser iniciada com temperatura alta.
A descoberta de que o atrito entre dois pedaços de madeira seca elevava a temperatura até produzir uma chama incipiente, que podia ser ativada pelo sopro, deu início à jornada tecnológica do homem, no seu controle da natureza.
Há evidências materiais do uso do fogo (não sua produção) em cavernas usadas pelo homem de Pequim, (Pithecantropus pekinensis), em época anterior ao período paleolítico.
Ainda recentemente o método do atrito, na produção do fogo, tem sido encontrado entre povos primitivos, por exemplo, entre os índios.
Os sistemas utilizados pelos povos primitivos de várias partes do mundo mostram grande inventividade nos dispositivos mecânicos que promovem o atrito.
Outro método que foi desenvolvido consistia na percussão de duas pedras para a produção de faíscas. A observação de que fagulhas tem o poder de começar um fogo e que o choque de alguns minerais produzem faíscas levou a este processo de iniciar uma combustão.
Há evidência de que este processo já era usado na era paleolítica pelo emprego de piritas de ferro sob forma de pequenos nódulos ou de sílex, material extremamente duro relacionado com o quartzo.
Posteriormente descobriu-se que as fagulhas eram mais fortes percutindo sílex com ferro ou aço. Este processo persistiu até o século XIX na Europa e, no Brasil ainda era encontrado em 1930.
Em 1827, na Inglaterra, a invenção do palito de fósforo iniciou um processo fácil e seguro de produção do fogo.
Tal sistema tornou-se universal e de uso cotidiano corriqueiro.


FOGUEIRAS NO BRASIL, TハM IDADE DE 50 MIL.
Escavaçoes de Nide Guidon, no Piau, podem mostrar ocupação mais antiga que no Chile.

Como Tom Dillehay, que esperou duas décadas antes de ter confirmada a antiguidade do sítio de Monte Verde, no Chile, a arqueóloga brasileira Niéde Guidon está confiante em que seu trabalho também acabará reconhecido. Ela fez descobertas interessantes, na década passada, no Parque da Serra da Capivara, uma reserva de 1.300 quilômetros quadrados, no sudeste do Piauí.
As escavações feitas na base de uma estrutura rochosa de 150 metros de altura, a Toca do Boqueirão, revelaram a existência de carvão típico de fogueiras, com 48 mil anos. Mas eles podem ser ainda mais antigos.
A teoria defendida pela arqueóloga é a de que o local já era ocupado há uns 50 mil anos. As fogueiras, interpreta, foram feitas por pequenos grupos de caçadores pré-históricos. Especialistas norte-americanos, entre eles Betty Meggers, argumentam que esses carvões são de incêndios naturais.
Niéde Guidon disse ao Estado que o argumento de Meggers não pode mais ser invocado: "Escavamos uma área imensa, além da base da Toca do Boqueirão, e não encontramos um único sinal desses restos de fogueiras". Se a arqueóloga norte-americana tivesse razão, rebate Niéde, "então encontraríamos muito mais dessas formações que só existem no refúgio da Toca do Boqueirão".
Também David Meltzer, que participa das investigações em Monte Verde, esteve em Serra da Capivara. Para ele, os seixos de quartzo lascado encontrados na base do abrigo, que Niéde Guidon sustenta terem sido esculpidos por mãos humanas, seriam formações acidentais, produzidas por pequenos blocos rochosos que despencaram do topo rochoso. A antropóloga brasileira refuta esse argumento com base na gravitação newtoniana. Ela escalou a formação e, de lá, atirou os blocos para demonstrar que eles não podem descrever uma curva e se depositarem exatamente na base do bloco. A rocha é ligeiramente arqueada e por isso mesmo forma um abrigo natural para agrupamentos humanos. A teoria sustentada por Niéde é que pode ter havido uma chegada por mar e não houve um ponto privilegiado para a ocupação da América, caso da ponte de gelo de Behing. A América, diz, “certamente foi ocupada de várias maneiras diferentes”.


Uso da pedra, osso, ouro, cobre e ferro (meteorítico).
Durante milênios, desde que surgiu, o homem utilizou a pedra como material para a confecção de instrumentos de uso diário na defesa e no ataque, na caça e na disputa intertribal.
Foram descobertas, em 1997, na Alemanha, lanças com ponta de pedra usadas por caçadores há 400.000 anos.
Também se descobriu que o homem primitivo já habitava as estepes geladas e áridas da Sibéria, perto de Yakutskh, na região polar ártica, há 300.000 anos e já fabricava instrumentos de pedra.
Foram encontrados indícios de que há 800.000 anos, na Espanha, uma pequena comunidade (50 pessoas) foi vítima de práticas canibalescas com retirada dos órgãos através de incisões feitas com lâminas de pedra.
A extensão do uso da pedra está amplamente documentada e representada por peças tais como machados, lanças, punhais, ceifadeiras, lâminas para esfolar animais e raspadeiras de pele, etc., que eram produzidas pelo método de percussão cuidadosa com outras pedras.
Este processo permitia dar forma ao objeto pela produção de lascas e daí a denominação deste período evolutivo como idade da pedra lascada.


O sílex era o material mais adequado a esta prática e a procura de material de melhor qualidade levou o homem do paleolítico a explorar pedreiras e minas cujos restos ainda são encontrados hoje.
O polimento dos artigos produzidos em época posterior, a partir do neolítico, resultou em melhoria na borda cortante das facas, machados, lanças, etc., tecnologia que facilitou aplicações na agricultura que começava ser praticada.
No paleolítico superior os objetos e as armas passaram a ser mais sofisticados com o uso de outros materiais como o osso que era usado na ponta de lanças, nos arpões, nas agulhas.
Os ossos eram trabalhados por meio de pedras afiadas e desbastados e polidos até atingir a forma desejada.
Os chifres ou galhadas dos antílopes eram mais convenientes para alguns usos facilitando o trabalho.
No período paleolítico o homem desenvolveu o arco e a flecha.
A ponta das flechas era feita de osso e muitas vezes serrilhada.
Anzóis eram feitos a partir de conchas marinhas.
Objetos caseiros, como pentes, cabo de facas e outros instrumentos, eram feitos com ossos e pequenas esculturas entalhadas em marfim.

Ouro
O metal mais antigo utilizado pelo homem parece ter sido o ouro embora o cobre e o estanho também tenham que ser considerados.
Era obtido a partir de depósitos aluviais sob forma de pepitas que eram separadas pela ação da água.
O mesmo método ainda é utilizado por garimpeiros no Brasil.
O conhecimento do ouro no paleolítico levou o homem a descobrir suas propriedades de maleabilidade e ductilidade sendo, mais tarde, usado no preparo de enfeites e jóias.
Cobre
Cobre nativo é encontrado em muitos lugares, geralmente montanhosos, como pequenas partículas, ou mesmo pepitas ou nódulos, de cor verde violácea ou verde negro.
Pode-se apresentar, também, sob forma de pequenas placas ou formas arborescentes.
Quando riscadas por um objeto pontudo ou raspadas ou trabalhadas com percussão com pedras ou martelos de pedras revelam um miolo metálico.
Estas formas já eram conhecidas por volta de 5.000 a.C. e utilizadas para fazer pequenos objetos (anzóis, arrebites, etc.).
Descobriu-se também (cerca de 4.200 a.C.) que uma massa metálica trabalhada pelo martelo torna-se progressivamente mais dura e que volta a ser maleável se for aquecida (recozimento).
Esta tecnologia permitiu que a partir dos nódulos se produzissem folhas metálicas que podiam ser trabalhadas a frio (marteladas) e recozidas sucessivamente.
Usando outra pedra lapidada como bigorna e machados de pedra adequados o artesão paleolítico podia dar forma diversas aos objetos de cobre metálico.
Os depósitos de cobre nativo não eram muito abundantes fato que levou ao desenvolvimento de tecnologia para a obtenção do metal a partir de minérios que eram abundantes em certas regiões.
Este estágio ocorreu entre quinhentos e mil anos mais tarde.

Ferro ( meteorítico)
O ferro de origem meteorítica foi usado pelo homem deste período para fazer ornamentos.
Este tipo de ferro contém muito níquel como impureza e tem propriedades semelhantes ao aço, sendo difícil de ser trabalhado com os instrumentos existentes feitos de pedra ou cobre.
Apesar disto foram encontrados amuletos, anéis e outros objetos pequenos feitos de ferro meteorítico.
A tecnologia do ferro desenvolveu-se e tornou-se importante muito mais tarde quando foi reconhecida a existência de minérios de ferro e desenvolvidos os fornos de alta temperatura.
O homem paleolítico desta época sabia que o ferro tinha origem celestial.
Mil e duzentos anos mais tarde os Sumerianos utilizavam uma palavra cujo significado era "ceu-metal” e os Egípcios outra que significava "cobre preto vindo do céu" para designar o ferro meteorítico.

Aparecimento da metalurgia

O aparecimento da metalurgia está ligado à descoberta da fusão e moldagem do metal em uso, o cobre, e à redução de seus óxidos, carbonatos e sulfetos, encontrados em minérios.
Os óxidos e carbonatos, (cuprita: Cu2O, malaquita: CuCO3. Cu (OH)2 azurita: 2CuCO3. Cu (OH)2), são facilmente reduzidos com carvão vegetal produzindo o metal puro.
Os sulfetos, (calcopirita: CuFeS2, calcocita: Cu2S, bornita: Cu3 FeS3, covelita: CuS), embora mais difíceis de serem reduzidos, continham como impureza outros metais, (ferro, arsênico, antimônio, bismuto), mas eram muito utilizados.
Estes minérios eram encontrados em minas e depósitos que se espalhavam por extensas regiões da Europa e da Ásia.
Esta descoberta ocorreu entre 3.500 e 3.000 a.C. e só foi possível com a invenção e desenvolvimento de fornos, cadinhos e foles feitos de couro, que permitiam atingir a temperatura de fusão dos metais em uso (cobre: 1083ºC, ouro: 1063ºC).
Os primeiros fornos eram pequenos com cerca de 30 cm de diâmetro.
No seu interior o ferreiro colocava camadas alternadas de carvão e minério.
Sob aquecimento ocorria a reação química e o metal liberado se solidificava misturado com a ganga e as cinzas.
Os lingotes produzidos tinham entre 20 a 25 cm de comprimento e 4 cm de espessura, mas suficientes para a produção de pequenos objetos.
Prata e chumbo são encontrados nas escavações feitas no Egito, no período pré-dinástico (2.500 a.C. -3.000 a.C.) e na Mesopotâmia, no período Uruk III (3.000 a.C.) e nas cidades de Ur e Lagash.
Estes metais aparecem juntos porque eram obtidos a partir do mesmo minério, a galena, de ocorrência freqüente e muitas vezes associada á minérios de cobre.
As minas principais se encontravam nas regiões montanhosas da Armênia, nas terras dos Hititas.
Os reis de cidades mesopotâmicas e assírias faziam expedições constantes de mercadores à Ásia Menor para comprar prata e chumbo que eram vendidos em lingotes e transportados em recipientes fechados para evitar pilhagem.
A produção de prata expandiu-se, posteriormente, para regiões gregas e para a Europa.
A galena no Egito foi muito usada como cosmético, para pintura dos olhos.
A produção de prata e chumbo suscitou o aparecimento das técnicas de redução de minérios sulfíticos e o uso da copelação.
Na redução da galena faz-se previamente o cozimento para a desulfurização parcial e depois a redução do oxido de chumbo (litargírio).
Um forno aberto simples era usado.
Camadas alternadas de minério e carvão eram aquecidas e ar soprado no forno por meio de foles.
Algum enxofre era eliminado como óxido ficando um resíduo de galena e sulfato de chumbo.
Num momento adequado deste processo a temperatura era aumentada afim de que o litargírio, a galena e o sulfato de chumbo reagissem produzindo chumbo que se acumulava no fundo do forno.
O restante de enxofre saía como dióxido.
Obtinha-se uma liga de chumbo e prata com impurezas de antimônio, cobre arsênico e estanho.
A prata era separada por copelação: a liga de prata e chumbo obtida era fundida em um cadinho de barro poroso.
Passava-se uma corrente de ar para oxidar o chumbo e os outros metais.
O litargírio formado, em estado de fusão, contém os óxidos dos metais de impurezas e era parcialmente eliminado da mistura com um jato forte de ar.
Outra parte penetrava nos poros do cadinho.
Ao resfriar-se o cadinho a prata pura formava uma massa sólida no fundo do mesmo.
O cobre e o chumbo, sob forma de pesos e pequenas barras, eram usados como moedas nas trocas comerciais.
Mais tarde foram substituídos pelo ouro e pela prata que estavam associados numa relação de prata: ouro de 1:8 e durante muito tempo 1:10.
O cobre forma liga com o estanho, chumbo, antimônio e o arsênico.
A liga mais comum é a com estanho, chamada comumente de bronze.
Esta liga começou a ser utilizada por volta de 3.000 a.C. e foi obtida provavelmente fundindo-se minérios de cobre e estanho.
O estanho é encontrado na cassiterita, minério que contém óxido de estanho, SnO2.
A redução deste minério para produzir estanho puro tornou-se conhecida mais tarde, entre 3.000 e 2.000 a.C, quando bronze com diferentes proporções de estanho passou a ser produzido.
Neste período o bronze passou a ser usado mais intensamente na produção de objetos por ser melhor do que o cobre puro.
Eram fabricadas armas, espelhos, estátuas, machados e objetos caseiros.
Comparado ao cobre o bronze é mais duro, mais tenaz e é melhor para ser moldado.
À medida que se aperfeiçoava a obtenção dos metais pela descoberta de processos rudimentares de tecnologia os objetos de pedra eram substituídos ou copiados (forjados ou moldados).
Este processo de substituição foi, entretanto, muito lento.
Ainda em 2.000 a.C. no Egito e 1.500 a.C no Egeu e depois do final da idade do Bronze (início da idade do Ferro, 1.200 a.C.), na Europa, muitos objetos de pedra ainda eram usados.
A redução dos sulfetos de cobre que se passa a temperaturas mais elevadas era feita em fornos colocando-se camadas alternadas de minério (calcopirita, CuFeS2) e carvão.
O processo é mais complicado do que o que usava carbonatos.
Era necessário recozer primeiro o minério para eliminar excesso de enxofre e óxidos voláteis de impurezas (arsênico, bismuto, antimônio).
Depois fundi-lo com o carvão e sob ar soprado, para oxidar parcialmente o sulfeto cuproso fundido, obtendo-se óxido cuproso.
Este reagia com o sulfeto cuproso remanescente formando cobre e dióxido de enxofre.
O cobre com pureza de 95% era então separado da ganga.
O chumbo e a prata sempre estiveram associados porque ambos eram obtidos a partir do mesmo minério, a galena.
A desulfurização da galena por recozimento produz o litargírio que é um oxido de chumbo.
Há produção de sulfato de chumbo e alguma galena permanece na mistura.
Quando sai uma quantidade adequada de enxôfre a temperatura é elevada e a galena, o litargírio e o sulfato reagem produzindo o chumbo que se acumula no fundo do forno.
O excesso de enxôfre é eliminado como dióxido.
O chumbo forma uma liga dura com a prata e contém impurezas como cobre estanho, antimônio, ferro (Ezequiel, XXII, 19,22).
A prata era separada por copelação e o chumbo resultante do processo era razoavelmente puro.
O chumbo e o antimônio eram usados para facilitar a moldagem do cobre na fabricação de objetos.
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O ferro não meteorítico é encontrado como magnetita (Fe3 O4), hematita (Fe2 O3), ocre (Fe2 O3 hidratado) e siderita (FeCO3).
Estes minérios eram encontrados em abundância no Egito, na Ásia Menor, nas montanhas do Cáucaso, na Armênia e em outros lugares.
Apesar disto o ferro só começou a ser obtido regularmente e usado muito tempo depois do cobre (1.200 a.C.).
Isto talvez tenha ocorrido devido à alta temperatura de fusão do ferro (1535ºC).
A redução destes minérios nos fornos utilizados para obter bronze fornecia uma massa esponjosa cheia de buracos e sem aparência metálica.
A ganga podia conter algum ferro reduzido sob a forma de nódulos duros que podiam ser separados pelos ferreiros.
O ferro obtido tinha um pouco de ganga, pouco carbono, era duro, mas quebradiço.
Entretanto era maleável ao rubro e podia sob a ação de martelos tomar uma forma desejada.
A quantidade obtida era pequena e muito usada para fabricar ornamentos.
O domínio da técnica de produção do ferro inaugurou, mais tarde, o que se denomina de Idade do Ferro (1200 a.C. -50 a.C.).
Os primeiros objetos feitos de ferro imitavam os de bronze e ferro e bronze eram usados juntos em muitos objetos.
Havia grandes centros que trabalhavam com ferro como o de Doliche, uma cidade no norte da Síria.
Cerca de 800 a.C. a tecnologia do ferro já tinha atingido seu apogeu.
Muitas cidades e reinos importavam ferro que era revendido ou distribuído aos ferreiros para fabricação de armas e outros objetos.
Os ferreiros, pela sua importância na comunidade, ganharam muito prestígio e em torno de suas atividades há inúmeras legendas na literatura antiga (Vulcano, ferreiro e deus do fogo, na mitologia grega).
As propriedades do ferro podem ser alteradas pela quantidade de carbono que contém.
O ferro maleável contém muito pouco carbono, mas o ferro fundido contendo entre 1.5 e 5 por cento de carbono é duro e quebradiço.
Se a quantidade de carbono for menor do que 1.5 por cento e maior do que 0.15 temos o que se denomina de aço.
Foi inventado na Armênia pelos Cálibes, povo subjugado pelos Hititas, cerca de 1.400 a.C.
Com a queda dos Hititas (1.200 a.C.) os ferreiros migraram e espalharam o conhecimento pelo Iran, Palestina, Síria e Grécia.
Mais tarde atingiu o sul da Itália e o resto da Europa.
Minas de ouro eram encontradas na Ásia Menor, Pérsia, Índia, Arábia e no Egito, no deserto da Núbia.
Esta região era muito rica de ouro (Núbia significa "terra do ouro").
Este metal ocorria como incrustações no quartzo ou em depósitos aluviais de onde era extraído sem dificuldade.
De um modo geral o ouro continha impurezas de prata, ferro e cobre o que lhe conferia cores diferentes e era muito usado em joalheria.
A purificação do ouro era feito pelo método usado com a prata, copelação: misturava-se chumbo com o ouro e oxidava-se o chumbo e as impurezas com ar soprado.
O ouro refinado ficava no fundo do cadinho ou copelo.
Em um outro processo podia-se retirar a prata transformando-a em sulfeto de prata.
Aquecia-se o ouro impuro com stibnita (Sb2 S3) e carvão vegetal.
Obtinha-se sulfeto de prata e esta no final era retirada por copelação.
A obtenção do ouro a partir do amálgama, isto é, da solução do ouro no mercúrio, e a evaporação deste posteriormente, provávelmente era conhecida neste período.
O teste de pureza consistia em fundir o ouro durante o tempo necessário para evaporar eventuais impurezas pesando-o novamente no final.
Ou pelo método da pedra de toque (pedra de joalheiro) riscando-a e comparando a risca com a deixada por ouro puro.
Este processo já era conhecido e usado em 1500 a.C.
Há inúmeras obras de joalheria feitas com ouro, na Babilônia e no Egito, que atestam o alto grau de perfeição atingido pelos artesãos desta época.
Coloração artificial dos metais e das ligas era obtida com tratamento da superfície metálica.
Os Egípcios obtinham uma superfície de cor rosa com o ouro aquecendo-o com traços de ferro.

Alexandre o Grande
Alexandre o Grande (356 a.C. -323 a.C.), que tinha sido aluno de Aristóteles, quando passou a reinar, conquistou as nações do Oriente e expandiu o império Macedônico dominando o Egito, a Mesopotâmia, a Pérsia e até a Índia.
Consolidou o poder político na Grécia, que na ocasião era constituída de pequenas cidades-estado, e amalgamou a cultura e os povos de seu vasto império sob a influência da cultura grega que se difundiu extraordinariamente.
Um fluxo de informações e cultura de regiões afastadas, como a Índia e a China, e deslocamento de pessoas e mercadores se estabeleceu, expandindo o horizonte do pensamento grego.
Alexandre incentivava o casamento dos gregos com as mulheres dos povos conquistados tendo ele mesmo casado com uma princesa oriental.
Também promovia a instalação de assentamentos gregos nas terras conquistadas.
Assim, no Egito, fundou Alexandria.
no delta do Nilo, em 332 a.C, cidade que se tornou um verdadeiro centro de confluência das culturas orientais e ocidentais, um verdadeiro caldeirão de idéias filosóficas, científicas e religiosas, que se manteve por vários séculos, após sua morte prematura aos 33 anos.
Os seus generais dividiram entre si o seu vasto império, estabelecendo o sistema de sátrapas.
O Egito coube a um de seus melhores generais, Ptolomeu, e mais tarde, a sátrapa da Babilônia passou ao controle de Seleuco, outro general, que fundou uma cidade, Seleucia.
Em 305 a.C. os sátrapas transformaram-se em reis, sendo estabelecida a dinastia dos Ptolomeus, no Egito.
Seleuco, por sua vez constituiu um império que incluía a Ásia Menor, a Mesopotâmia e a Pérsia.
O reino Egípcio e o império oriental Seleucida abrigaram a cultura grega, influenciada pelos novos povos e por novos pensamentos que surgiam e não mais centrada no individualismo dos filósofos clássicos cujo último representante de importância tinha sido Aristóteles.
A filosofia grega clássica, entretanto, permaneceu como um núcleo de idéias que iluminou o caminho para o desenvolvimento social, político, religioso, científico, filosófico e cultural do mundo ocidental perdurando até os dias atuais.
A cidade de Alexandria sob o domínio dos Ptolomeus, que incentivavam a cultura fundando universidades, museus e a famosa biblioteca de Alexandria, passou a atrair pensadores, filósofos, cientistas, religiosos e tecnólogos de todo o mundo, cujos pensamentos interagiram criando novas doutrinas, novos conceitos, mas também sendo submetida à violência e à ambição política dos impérios.
A Alquimia nasceu em Alexandria como resultado de uma almágama de idéias filosóficas e tecnológicas provindas do oriente próximo, de filosofias da Índia e do Irã, da filosofia e ciência gregas, com ênfase nas idéias de Aristóteles sobre a matéria e nos conceitos de Pitágoras sobre os números.
A idéia central dos alquimistas era de que os metais comuns, cobre chumbo, mercúrio, estanho, ferro, eram formas impuras de metais mais nobres, como a prata ou o mais perfeito de todos, o ouro.
A busca empírica do processo de transmutação destes metais impuros suscitou o uso e o desenvolvimento das tecnologias já conhecidas desde a antiguidade e a experimentação com outras novas que iam surgindo.
Procurou-se intensamente encontrar uma substância que adicionada aos metais vulgares, mesmo em pequena quantidade, promovesse a transformação.
Esta substância mágica ficou conhecida como a "pedra filosofal" ou lápis philosoforum, que mesmo adicionada em pequena quantidade teria a propriedade de transformar imensas quantidades de metais vulgares no nobre ouro.
Ao lado destas idéias de conteúdo mais prático e experimental floresceu também uma filosofia mística, mais religiosa, simbólica, cabalística e mágica, que se nutriu das idéias da antiga Mesopotâmia, da Índia, da China, dos filósofos gregos não materialistas e dos Egípcios.
Esta corrente mais mística, entretanto, prevaleceu e ganhou destaque por mais de 1000 anos, até o século XVII.
Este imenso império cultural, onde o fluxo de informações e conhecimento se processava principalmente através das rotas dos mercadores e das caravanas, como a Rota da Seda, que se estendia até a China, constituiu o que denominamos de cultura helênica.
Sua expressão mais visível e concreta se encontrava nos milhares de pergaminhos da biblioteca de Alexandria, o grande centro cultural da época, que foi posteriormente destruída.

Alquimia experimental no período helênico (300 a.C-300 d.C)

Os egípcios herdaram das civilizações antigas as práticas básicas da tecnologia química, principalmente dos mesopotâmios, adaptando-as e utilizando-as em sua sociedade, como mostra uma extensa representação pictórica encontrada nos papiros.
A mentalidade egípcia era mais inclinada às aplicações práticas, concretas, enquanto os gregos eram mais afeitos ás questões abstratas.
No Egito helenista apareceram os primeiros tratados alquímicos, e o mais antigo deles, de cerca do ano 200 da era Cristã, escrito por um autor de nome Democritos (não o famoso filósofo grego), também conhecido por falso-Demócrito, mas suposto ser Bolos de Mende, um egípcio helenizado, tem um nome sugestivo das duas tendências da alquimia: Physika kai Mystika, isto é, "Coisas Naturais e Místicas", contendo receituários para fazer prata, ouro, assim como métodos de tingimento de tecidos e coloração de materiais com imitação da cor da prata e do ouro.
Os receituários invocavam a teoria dos elementos dos gregos e mostravam a influência da Astrologia que originalmente cultivada na Mesopotâmia havia se difundido por todo o mundo antigo.
As receitas experimentais sempre continham no final uma máxima indicando um princípio cumprido, como por exemplo, "A Natureza triunfa sobre a Natureza" ou outras afirmações pertinentes à comprovação de conceitos alquímicos.
Nos séculos subseqüentes, temos Zósimos de Panópolis (300 d.C.), Olimpiodoro, um grego-egípcio (425 d.C.), autores que contribuíram e comentaram os trabalhos alquímicos no período helênico.
A prática da alquimia depois de Bolos de Mende envolvia o estudo da composição das águas, aprisionamento e liberação dos "espíritos (essência)" dos corpos, "morte” e "ressurreição" dos metais por meio de destilações e sublimações sucessivas, e outras operações, com o fim de transformar os metais vulgares em ouro.
Zósimo descreve vários processos como fusão de metais, solução, calcinação, filtração, sublimação, cristalização e adota uma sistematização dos materiais classificando-os como metais, líquidos obtidos por destilação alcoólica (espíritos), vapores e fumaças.
Zózimo também escreveu um livro sobre produção de cerveja que era uma bebida muito popular no Egito.
É nas obras destes autores que são encontradas referências com descrição detalhada dos equipamentos usados pelos alquimistas helênicos.
São encontrados distiladores, condensadores, frascos, balões, banhos-de-areia, banhos-maria, fornos, tripés e outras peças comumente usadas em laboratórios.
Um tipo interessante de equipamento era o chamado kerotakis uma espécie de condensador de refluxo.
Outro era o tribikos, uma espécie de condensador feito de metal, cobre ou bronze, em que a parte central superior possuía três tubos com saída em forma de bico que podiam gotejar o líquido destilado em frascos ou recipientes.
Este sistema é atribuído a uma alquimista, Maria a Judia, ou Mirian, irmã de Moisés.
Ela também é tida como tendo inventado o sistema de aquecimento denominado de banho-maria e o kerotakis.
Os alquimistas de Alexandria trabalhavam com metais com a esperança de conseguir transformá-los em ouro.
Partiam do princípio de que os materiais que usavam deviam ser levados ao estado mais próximo possível da matéria primordial formadora dos corpos.
Portanto, era necessário aquecê-los prolongadamente, na presença de umidade, a fim de transformá-los.
A cor dos produtos era considerada uma característica muito importante nas transformações que ocorriam principalmente à cor da prata e a do ouro.
Ao serem submetidos às transformações alquímicas os materiais inicialmente perdiam suas qualidades metálicas comuns, fornecendo comumente uma massa escura ou negra.
Denominava-se este estágio de melanosis (escurecimento).
Com a continuação do processo atingia-se o estágio de leucosis (embranquecimento ou cor da prata) e, mais tarde, o de xantosis (amarelecimento ou cor do ouro).
O estágio final começava com a iosis (violeta), que daria ao ouro cor violeta iridescente, chegando-se, então, ao produto desejado.
Esta seqüência, posteriormente, foi simplificada e padronizada até o estágio de amarelecimento.
Assim, por exemplo, o cobre, por aquecimento, tornava-se negro devido à oxidação ou por conversão em sulfeto (melanosis) e se tratado com orpimento (sulfeto de arsênico) tornava-se branco (leucosis).
A fase final, xantosis, era obtida com o tratamento com theion hudor- (água sulfurosa ou divina)- obtida a partir de cal, enxofre, vinagre ou urina de criança, por aquecimento e filtração do líquido vermelho-sangue resultante.
Os procedimentos alquímicos, de um modo geral, concentravam-se em torno das operações de destilação, onde tudo é misturado, dissociado, onde há a união de tudo, combinação ou separação.
Estas operações, mais tarde, adquiriram uma conotação mística, com uma linguagem fortemente simbólica que prevaleceu após 300 d.C. até o século XVII, cerca de 1.400 anos

Alquimia na China

A alquimia na China, como no ocidente, era uma prática que envolvia o conhecimento de metais, mas, diferentemente, era muito relacionada com a medicina.
Os chineses desde tempos remotos utilizavam o ouro, a prata e o cobre.
Conheciam o chumbo e o mercúrio, que era obtido do cinábrio, e eram usados na preparação de vários compostos.
A alquimia surgiu na China mais cedo do que em Alexandria, entre 500 e 300 a. C., e desenvolveu-se sob a influência do Taoismo, uma religião mística fundada por Lao-Tzu, no século VI a.C..
Os chineses acreditavam que o mundo era constituído de cinco elementos: fogo, terra, água, metal e madeira.
Consideravam também, na sua cosmogonia, a existência de contrários, do mesmo modo que Heráclito, na Grécia.
Estas idéias foram cristalizadas no conceito do Yin e do Yang. Yen é o princípio feminino, que representa frieza, escuridão, qualidades negativas, representada pela terra ou pela lua, pela secura, enquanto Yang é o principio masculino, com qualidades positivas, movimento, atividade, representado pelo sol.
Estes conceitos são básicos no Taoismo, uma filosofia que surgiu no século VI a.C., expressa em um livro, o Tao Te Ching, de Lao Tzu.
O Tao, que significa caminho ou percurso, era uma força que controlava todas as coisas e tinha surgido a partir do vazio e da tranqüilidade do universo inicial que era transparente e sem forma.
Este conceito abstrato tranformou-se nos séculos seguintes e passou a incluir o estudo da natureza e a busca de uma explicação da formação do mundo o que levou a uma cosmogonia centrada no conceito de Yin e Yang.
Na parte alquímica experimental os chineses buscavam produzir ouro e encontrar a pílula da imortalidade como mostra o livro de Wei Poyang, chamado Chou i ts’an t’ang ch’i, de 142 d.C., que contém uma parte mística e a descrição de processos práticos expressos em linguagem simbólica.
Mais tarde, em 281 d.C., surge outro livro, o Pao-p’u-tzu, de Ko Hung, considerado o maior livro de alquimia da China.
Este livro contém descrição de processos para preparar elixires baseados em ouro, preparação de derivados do estanho com aparência de ouro, operação que acreditavam, transformava o estanho em ouro.
Neste texto é indicado que o "ouro alquímico", isto é, uma forma solúvel em água, preparado segundo o receituário fornecido, é superior ao ouro comum, como ingrediente dos elixires da imortalidade.
É descrita, também, a preparação de sais de mercúrio e arsênico.
Um livro posterior, muito famoso, é o de Sun Ssu Miao (581 d.C), Tan chin yao chueh ou Os Grandes Segredos da Alquimia, com receitas práticas para preparar elixires para conseguir a imortalidade.
Ensina,também, como obter remédios e fabricar pedras preciosas.
Outro texto desta época é o San-shi-liu Shui Fa ou Os trinta e seis métodos de dissolver sólidos em água, que ensina como obter soluções aquosas de vários minerais e, particularmente, do ouro e da prata.
Os equipamentos que os alquimistas chineses usavam incluiam fornos, cadinhos, destiladores e o ting, uma espécie de caldeirão suportado por três pernas.
A padroeira dos alquimistas era uma deidade chamada a Senhora dos Fogões cuja imagem simbólica era a de uma mulher com vistosa roupa vermelha.
De forma semelhante ao mundo ocidental, em séculos posteriores, a alquimia chinesa separou-se numa parte esotérica, puramente química, ou wai tan e uma parte mística, esotérica ou nei tan, em que a simbologia usada para os conceitos era calcada nas operações práticas de laboratório.
Uma comparação entre os conceitos alquímicos dos chineses e as do mundo ocidental mostra que desde tempos imemoriais, mesmo antes das conquistas de Alexandre, houve contato constante entre a China e as civilizações ocidentais por força das rotas dos mercadores, entre as quais a mais famosa é a Rota da Seda.
Enquanto no mundo ocidental os alquimistas procuravam transformar metais não nobres em ouro e obter um elixir os chineses consideravam mais importante à obtenção do elixir da imortalidade e remédios para a cura de doenças.

Alquimia entre os Árabes

A origem da alquimia árabe é difícil de ser estabelecida mas, certamente, seu cultivo floresceu com o advento do Islã, após a morte do profeta Maomé, em 632 d.C..
Antes deste período, entre 400 d.C. e 700 d.C., há poucas informações disponíveis mas há evidências de que as idéias gregas de alquimia foram obtidas através do Egito, da Síria e da Pérsia.
A cultura islâmica foi o resultado da influência Bizantina, Nestoriana e Judia, que tinha como componente fundamental as idéias gregas e helenistas.
No século seguinte à morte do profeta o Islã conquistou a Pérsia, a Ásia Menor, o Egito, a Palestina, o norte da África e parte da Europa, Gibraltar e Espanha.
Em 732 d.C. a arremetida árabe foi detida em Poitier, França.
Nos séculos VII e VIII os árabes consolidaram seus domínios e dedicaram-se a absorver a cultura dos centros de saber conquistados, principalmente os gregos e os egípcios.
Fundaram-se academias e centros de estudos, nos séculos VIII e IX, tendo os árabes se empenhado na tarefa de traduzir as obras gregas em filosofia, astronomia, matemática, medicina , religião, alquimia.
Os cristãos na Síria lideraram este movimento sendo também responsáveis pela disseminação dos conhecimentos alquímicos dos gregos e egípcios de Alexandria.
Um livro de alquimia mística com forte vinculação egípcia, o Livro de Crates (Democritos) , é conhecido deste período, e relacionado com idéias Herméticas (Hermes Trismegistos).
Tais idéias místicas foram também consideradas no século seguinte, X, pelo alquimista Muhamad ibn Umail, com seu livro Águas prateadas e terra brilhante, que se tornou muito influente.
Em Harran, uma cidade que era um centro eclético de estudos filosóficos, havia já muito tempo, com mistura de idéias sírias, persas e gregas, e onde se cultivava a alquimia, que tinha se tornado muito popular, o trabalho e o comércio com metais e outras substâncias era intenso.
É natural que as idéias de transmutação de metais e outros conceitos da alquimia grega e egípcia tivessem sido adotados e enriquecidos pelos árabes neste período.
O alquimista muçulmano mais famoso é Jabir ibn Hayyan (721?-803), considerado o pai da alquimia árabe.
Após ter seu pai decapitado, por participar numa tentativa de derrubada do Califa, foi para a Arábia onde se uniu a uma seita Xiita chamada Ismailiia.
Esta seita cultivava doutrinas místicas, numerologia Pitagórica e adotava uma cosmologia que preconizava uma relação entre o macrocosmo e o microcosmo.
Também patrocinava a publicação de trabalhos em alquimia.
Há mais de 2.000 trabalhos atribuídos a Jabir num período que se estende até o século XIV.
Isto indica que, na realidade, outros autores da Ismailiia assinavam os manuscritos, para garantir circulação, com o nome de Jabir, que na Europa ficou conhecido, séculos depois, como Geber.
Por este motivo as obras de Jabir são também conhecidas como a Coletânea de Jabir.
A filosofia natural de Jabir estava relacionada com as doutrinas alquímicas de Alexandria e a filosofia de Aristóteles.
Entretanto, embora adotando o conceito dos quatro elementos- fogo, terra, água e ar- e suas qualidades- calor, frio, umidade, e secura- achava que duas delas se combinavam constituindo as qualidades “exteriores" dos metais enquanto as restantes eram "interiores" e inatas.
Supunha que metais eram constituídos de mercúrio combinado com enxôfre e que diferiam uns dos outros pela diferença de suas qualidades.
Acreditava que se a proporção das qualidades fosse conhecida em determinado metal, e se estas fossem separadas do mesmo, haveria a possibilidade de combiná-las em novas proporções e obter metal diferente.
Desta maneira seria possível transformar metais em ouro.
Na parte operacional a destilação destrutiva procurava isolar estas naturezas primitivas dos elementos alquímicos.
As substâncias eram então destiladas repetidamente, frequentemente centenas de vezes, na esperança de isolar as qualidades básicas.
Supunha-se também que a adição de uma outra substância, que teria o poder de absorver uma das qualidades, facilitaria esta tarefa.
Um outro alquimista muçulmano de destaque, que se dedicou à medicina, é Abu Bakr Muhammad ibn Zakaryya al-Razi (866-925), conhecido como Rahzes em Latim, nascido na cidade de Ray ou Rhagae.
Escreveu 21 livros de alquimia mas somente alguns são conhecidos.
No Kitab Sirr al-Asrar (Livro do Segredo dos Segredos) Razi faz uma exposição minuciosa e classificatória dos equipamentos e das substâncias utilizadas até então na alquimia.
Classificava as substâncias como animal, vegetal e mineral.
As minerais podiam ser espíritos, pedras, corpos, vitríolos, boraces e sais.
Os espíritos podiam ser de quatro variedades: dois voláteis e incombustíveis, o mercúrio e o sal amoníaco, e dois voláteis e combustíveis, o enxôfre e o ‘arsênico’ (realgar ou orpimento).
As pedras incluiam: galena, stibnita, hematita, pirita, malaquita, vidro, lápis lazuli e gesso.
Sua classificação dos vitríolos não é muito clara mas incluía neles o sulfato ferroso e o alumen.
Os boraxes incluiam o natrão e os sais incluiam o sal comum, a cal hidratada e os carbonatos de sódio e potássio.
No seu livro Razi menciona outros materiais de uso comum: cinábrio, chumbo branco e vermelho, litargírio, óxido de ferro, óxido de cobre, vinagre de vinho.
Os equipamentos usados no laboratório incluiam frascos, caçarolas, cristalizadores de vidro, copos, jarros com tampa, espátulas, pinças, moinho de pedra para trituração e cadinhos simples e duplos para a purificação de metais.
Fornos de vários tipos, entre os quais o athanor, ou al-tannur, um forno feito de tijolos, no fundo do qual se colocava um recipiente com cinzas envolvendo o material a ser tratado, eram frequentemente usados.
Para aquecimento usavam velas, chamas de nafta, carvão, e outros materiais combustíveis.
As chamas eram sopradas com foles de couro mas as chaminés não eram ainda utilizadas.
Os sistemas de destilação usados neste período eram praticamente iguais aos dos alquimistas de Alexandria.
O alambique, ou retorta, era mergulhado em cinzas ou em água sob ação do aquecimento.
Razi também descreve, no seu livro, receitas para a preparação de muitas substâncias, entre as quais polisulfeto de cálcio, a partir de enxôfre e cal virgem, e álcalis cáusticos a partir de carbonato de sódio (al-Qili) , cal e sal amoníaco.
O al-Qili era obtido por lixiviação de cinzas de plantas.
A solução resultante podia dissolver vários materiais incluindo a mica.
Os textos de Jabir e al-Razi inclinam-se mais para uma apresentação da alquimia prática, experimental, deixando de lado a parte mística e filosófica típica de Alexandria.
Assim, embora admitissem a transmutação de metais e a busca de elixires, os principais alquimistas desta época concentraram-se mais nos aspectos práticos da arte no laboratório.
Esta atitude influenciou não só os alquimistas muçulmanos posteriores como também, séculos mais tarde, os alquimistas europeus.
Um grande filósofo-cientista surgiu na Pérsia no século X, Abu ‘Ali al-Husayn ibn ´Abd Allah ibn Sina (980-1037) ou Avicena , seu nome no ocidente.
Avicena, um insaciável estudioso, dedicou-se à medicina e à filosofia tendo sido considerado, pelo seu vasto conhecimento, o principal sábio da Pérsia.
É reconhecido no ocidente como príncipe da medicina.
Não era filiado à seita Ismailiia tendo desenvolvido seus conhecimentos por conta própria.
Possivelmente esta ocorrência tenha-lhe proporcionado uma visão mais racionalista da ciência.
Escritor prolífico deixou mais de 200 tratados sobre quase todos os assuntos de seu tempo.
Era um médico extraordinário e um experimentador lúcido.
Embora aceitasse a teoria aristotélica dos elementos Avicena rejeitava a transmutação de metais.
Reconhecia que o que os alquimistas conseguiam na verdade era fazer imitações colorindo os metais vulgares de branco (prata), amarelo (ouro) e cor de cobre.
Acreditava que estas qualidades eram impingidas aos metais e que os processos usados, entre os quais a fusão, por exemplo, não podiam afetar a proporção de seus elementos constituintes.
Considerava que a proporção de tais elementos era uma característica de cada metal.
Assim como suas obras as idéias alquímicas de Avicena tiveram grande influência nos séculos posteriores.
No final do século X aparece um outro livro famoso, Rutbat al-Hakim ou Avanço do Sábio, de autoria de Maslama al-Majriti.
Era um famoso astrônomo mourisco da Espanha, país que tinha sido subjugado pelos árabes no século VIII.
Este livro expõe essencialmente as mesmas idéias dos alquimistas muçulmanos, como Jabir, mas aborda detalhes experimentais que indicavam uma preocupação com aspectos quantitativos das transformações observadas.
A alquimia no mundo muçulmano atingiu seu apogeu no século X.
Como reflexo da situação política inconstante não sofreu avanços racionais na sua interpretação.
Apesar disto os árabes contribuíram substancialmente para a formulação da teoria da composição das substâncias (teoria enxôfre-mercúrio).
Cultivaram com intensidade os paradigmas da alquimia helenista já conhecidos de séculos anteriores.
A parte mística da alquimia intensificou-se, entretanto, embora nos séculos XI,XII e XIII surgissem comentaristas e divulgadores da arte, que não acrescentaram nada de importante.
Um dos grandes méritos dos alquimistas árabes foi à tradução das principais obras dos autores antigos para a sua língua e o enriquecimento das idéias de forma mais objetiva.
A divulgação destas obras pelo seu império permitiu, mais tarde, uma verdadeira revolução cultural na Europa.
Do ponto de vista da alquimia experimental aperfeiçoaram a prática da destilação orientando-a para a separação dos princípios básicos constituintes das substâncias.
Progrediram na classificação dos minerais e contribuíram para a descoberta dos álcalis.
Fizeram progressos no uso de elixires na medicina e na transformação de metais além do estudo de substâncias orgânicas.

2 comentários:

dfkkfds disse...

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Rodrigo disse...

aew professo vc é foda heim ...

ja começo ferando todo mundo ...

ate mais ....